Oscar 2017: quem leva, quem deveria levar e quem foi injustiçado

E cá estamos em mais um ano para nossas previsões do Oscar 2017, acompanhadas de comentários sobre injustiças, tretas e afins. No dia 26 de fevereiro, a folia carnavalesca esquenta com a chegada desse bloco engraçado chamado Hollywood em seu momento maior de celebração: a entrega do homenzinho dourado.

A polêmica de 2016 versus a tônica de 2017
Depois da polêmica do #oscarsowhite, provocada pela ausência de indicados negros nas categorias de atuação no ano passado, a Academia resolveu radicalizar e praticamente fazer a versão #oscarsoblack este ano. Vários filmes com temática sobre a condição do negro e muitos atores afrodescendentes foram indicados para esta edição, com chances reais de vitória em pelo menos três das quatro categorias de atuação.
Tentativa de reparar um erro? Reforçar a ideia de que o ano passado foi uma coincidência infeliz, mas que a Academia não é racista? Reconhecimento diante da qualidade dos filmes e atores deste ano? Talvez uma mistura de tudo isso. O fato é que, entre brancos e negros, teremos prováveis acertos e outros grandes equívocos hollywoodianos na premiação que se aproxima.
Então vamos lá: quem leva, quem deveria levar e quem foi injustamente esquecido nas principais categorias.

Oscar 2017: quem leva, quem deveria levar e quem foi injustiçado
Melhor Filme
Indicados:
  • “A chegada” (Arrival)
  • “Até o último homem” (Hacksaw Ridge)
  • “Estrelas além do tempo” (Hidden Figures)
  • “Lion: Uma jornada para casa” (Lion)
  • “Moonlight: Sob a luz do luar” (Moonlight)
  • “Um limite entre nós” (Fences)
  • “A qualquer custo” (Hell or high water)
  • “La la land: Cantando estações” (La la land)
  • “Manchester à beira-mar” (Manchester by the sea)

Quem leva:
Tudo indica que La la land levará o troféu, apesar do crescimento das possibilidades de Moonlight.

Quem deveria levar:
Entre tantas boas opções, La la land é das melhores.

Nem todo mundo vai achar La la land essa coca-cola toda. O fato, no entanto, é que a ambiciosíssima empreitada do diretor Damien Chazelle (do já clássico Whiplash) é um primor em tantos níveis que desmerecer isso é, sinceramente, vontade demais de aparecer pelos motivos errados.

Tecnicamente um assombro, o filme conta com um roteiro fluido e um elenco que se compromete de corpo e alma com seus personagens (vale lembrar: Emma Stone e Ryan Gosling não são dançarinos, cantores ou pianistas, mas fazem de tudo no filme, o que só prova que são grandes ATORES). Vai ganhar uma carrada de Oscars. Merecidamente.

Quem foi injustiçado:
Em um ano de produções de alta qualidade (entre os quais a muito-perto-de-obra-prima Manchester à beira-mar), alguns filmes excelentes acabaram sendo simplesmente ignorados. Um deles é, sem dúvida, a recriação de Nate Parker para o clássico O nascimento de uma nação.

Este é um daqueles casos: causou furor em Sundance e despontou como favorito antecipado ao Oscar, até que o ator, diretor e produtor se envolveu em polêmicas. O filme, então, foi mal na bilheteria e acabou excluído injustamente, já que se trata de uma obra forte, com grande traço autoral e muito mais provocante que o semelhante (e incensado, premiado e laureado) 12 anos de escravidão, vencedor do Oscar na categoria principal em 2014.

Outro belo filme que foi completamente esquecido (e que estranhamente passou batido pelo público) é o tocante 7 minutos depois da meia-noite. Baseada no livro homônimo de Patrick Ness (inspirado por uma ideia da falecida escritora britânica Siobhan Dowd), essa mistura de drama familiar, fábula e história de formação traz uma interpretação superlativa de todo o elenco (em especial do garoto Lewis MacDougall) e a direção sempre envolvente do maravilhoso espanhol J.A. Bayona, o nome por trás dos ótimos O orfanato e O impossível.

A maior injustiça de todas, no entanto, foi a exclusão de Animais noturnos, de Tom Ford, de praticamente tudo. Um dos filmes mais criativos dos últimos tempos, com atuações primorosas de todo o elenco, o mix de história de amor e policial brutal foi lembrado em quase todas as premiações, mas foi perdendo força até ser quase ignorado pela Academia (a exceção foi a merecida indicação de Michael Shannon como ator coadjuvante). Uma pena!

Fonte: A Gambiarra

Postar um comentário